Alguns diferenciam o sentimento
do pensamento; um lado é coração e o outro é cérebro. Quem manda em quem?
Ninguém. Todos estão em harmonia, um influencia o outro, para mudar o coração,
pode se usar a razão, e para mudar os pensamentos, pode-se usar dos sentimentos.
O caminho cada um é quem escolhe. Mas compreender este órgão como além de uma
função física permite enxergá-lo como um depósito dos nossos sentir.
Alguém que já esteve do lado de
fora de um banheiro público, pode ter passado por uma experiência parecida; ter
sentido algum odor vindo de lá de dentro, como que, por mais que não
precisássemos entrar, já sabíamos o estado em que ele se encontrava. Assim como
quem já viu ao longe uma feira de flores passou pela cabeça as tamanhas belezas
que podia encontrar lá dentro. Desse modo é o nosso coração. Há inúmeras formas
de sentimentos, cada qual com seu peso, e são eles que guardamos dentro de
nosso depósito sentimental. Quem estiver fora pode deduzir ou até mesmo sentir
o que há lá dentro.

Esses materiais que deixamos
adornando nossos corações possuem um poder espetacular em nossas relações.
Certo dia um amigo me falo sobre uma história na qual um ser indescritível fora
se assemelhado a uma cor, de tão abstrato que era. Logo façamos a mesma
comparação; estes sentimentos vão desde o negro temeroso ao claro matinal.
Muitos não notam o que guardam no porão, e às vezes, misturam as batatas podres
com as saudáveis, e nisso já sabemos no que dá.
Há pesquisas que já comprovam
(mas mesmo se não houvesse não necessitaríamos delas para provar tal crença); o
coração é uma antena do corpo. Sendo assim, tudo que tem lá dentro, são
transmitidos para fora, sendo captado por outros corações. Aqueles que possuem
negrume guardado transmitem negatividade. Quem está perto dessas pessoas,
dependendo do nível cromático deste sentimento, se sujeita a sofrer
desconforto, baixa autoestima, descrença na vida e esquecimento dos reais
valores existenciais; para isso, basta não abrir sua rede para tais
transmissões. Sua negatividade pode ser tamanha que algumas coisas deixam de dá
certo em torno delas. Seus pertences, suas criações possui sua essência
sentimental, e quando nos deparamos com elas, estamos suscetíveis a se sujar.
Quem não possui um coração nessas condições não suporta viver por muito tempo
próximo a essas pessoas.
Já aqueles que têm claras cores
em suas caixinhas, presenteiam-nos com as mais benévolas sensações. Sentimos
paz, amor, amizade, felicidade, confiança e entre outras graças. Tudo ao seu
redor tende a facilidade, a certeza de um pertencer a uma natureza coletiva.
São com essas pessoas que aprendemos os passos básicos para caminhar ou que
apenas nos acolhe numa simples conversa descontraída. Não há idade para essas
pessoas, vão desde uma criança a um senhor; todos limparam e vigiaram suas
fortalezas para as boas cores habitar. E suas criações e pertences; um texto,
uma fala, um sorriso, um livro, transmitem suas vibrações internas. Com isso,
podemos notar um pouco, a partir deste ponto de vista, a importância da
manutenção diária de nossos corações, tarefa nada fácil neste sistema social
que valoriza a razão limitável, quando usada sem o sentir.