A quantidade de meios que temos
hoje em dia de entretenimento é incontável. Talvez seja porque a característica
de entreter não esteja no objeto em si, mas no individuo que se distrai com o
que lhe convém. Mas isso é apenas uma suposição. O que podemos ter clara evidência
é que muitas mídias tem como finalidade este princípio da divertimento.
Na TV enxergamos diversas
plataformas disposta às pessoas para que elas se distraiam dos problemas da
vida. Quem disse que uma novelinha ou uma dessas séries não nos faz navegar
numa mundo de ultra diversão, fazendo com que aqueles velhos problemas, que
muitas vezes nem sabemos que existem, não tenha possibilidade de se manifestar?
Acho que essa deve ser a sensação mais agradável que existe: ver-se num mundo na
qual não precisamos desenvolver soluções, pois tudo está beleza!
Se submeter num lago midiático contemporâneo
capitalista é aquela velha história de entrar para a Matrix. Saber que sou
apenas um corpo enclausurado numa cápsula... Isso é meio chato, prefiro viver na
normalidade, na realidade virtual. Quem não se deixa iludir-se com os divertimentos verá o mundo a
partir de outro ângulo. Ele notará as amarguras da vida, se deparará com as
angústias de sua vida, com as faltas, com a finitude de nossos corpos, e tudo aquilo
que sempre fugiu de perceber.
| Charge: Ivan Cabral |
Mas então, porque viver neste
mundo de aparência cinzenta? Primeiro, é apenas uma impressão esta coloração.
Só conhecemos que há um objeto velho porque já vimos um novo, só sabemos que existem
pessoas magras porque vimos pessoas gordas, e assim por diante. Logo, para que
notemos o colorido que a vida tem, temos que ver o outro lado, que também faz
parte de nossa existência. O colorido que a TV finge que passa é apenas um mero jogo psíquico de bem-estar. As cores da vida podem ser vistar sem usar nenhuma ferramenta cara que não seja nossos olhos. Desde sempre aprendemos que problemas existem para
resolver, não para adiá-los até o fim de nossas vidas; tal ensinamento tende a ser perdido no decorrer da vida. É notando a pequenez de
somos; meras contingências, que possibilitaremos desenvolver nossa fé em algo
superior a nós.
No entanto, saber quem está
certo, qual perspectiva e estilo de vida são a correta é uma resposta que não
podemos inferir. Posso pensar que o bom é viver fora das distrações, mas posso
pensar também que o melhor mesmo é se permitir a elas. Neste mundo de opiniões,
empinar seu nariz e ditar o correto é o mesmo que proferir o meio contrário;
melhor mesmo é simplesmente Viver.
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