A chuva tomava de conta das ruas,
em pleno meio dia, no Crato, onde o costume era termos o sol escarlate
temperando a pele dos que ali transitassem. Quando víamos chuva como aquela,
sabíamos que era passageira. Ela vinha apenas visitar-nos e deixar um mormaço de
presente.
Sentado ali para almoçar, num
desses restaurantes bares que ficam postos na entrada do centro da cidade, de
quem vem do Juazeiro, na rua Almirante Alexandrino, esperava meu prato chegar. Enquanto isso contemplava a
rua molhada e os mais diversos tipos de guarda-chuva que apareciam; o de se
espantar, era a quantidade deles; mesmo cessado o inverno, havia alguns
sujeitos que vagava prevenidos das (im)possíveis gotas de águas vindas do céu.
Junto comigo, estava uns operários de uma obra perto dali, que já saciados, bebiam algumas doses,
prevendo que não iam mais voltar ao trabalho.
| Palhaço Leleco - Florianópolis: FONTE: |
Após secado, ficou de pé arrumando sua bagagem de artista. Foi até a fachada do estabelecimento, sem
sair de dentro dele, e ficou vendo a garoa que cessava. Seu prato chegou. O sol raio
nas ruas como se nada tivesse acontecido antes dele surgir. O palhaço sentou na
mesma mesa que eu estivera; já juntava meus papéis, pegava minha bengala e meu chapéu e pagava no balcão o
valor pedido. Via de release, enquanto me dirigia à rua, o jogral iniciando o processo de findar, aquele suculento e simples parto que a mulata fizera com
todo gosto.
Sair dali e caminhava vendo nas
poças deixadas no chão enraizável daquela cidade pacata, o límpido céu azul que
encontrava-se escondido, até então, não por ser tímido, mas por algum outro motivo que nós terráqueos não saberemos desvendar. Porém, suspeitamos que tenha, aquela imensidão azul, segurança e honra de ver
nascer todo santo dia as cores vívidas e únicas daquele povo simples.
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