quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O Roçado no espírito: O espírito na cidade

FONTE: www.asabrasil.org.br

Eu como feito menino de roça!
Eu, como menino de roça,
enfeito todo os globos
oculares mirados. 
Enfeito todo os globos 
do teu roçado!


A brisa que me carrega
na fronte da juventude
levanta as pernas;
caminho!
de menino viro homem;
sou uma semente 
no sertão escarlate!
Sou uma surpresa
à voz que vos fala!


De buraco a buraco
a água busca seu enxame!
encontra o nada, 
talvez se reconforte
na casa alheia. 
A brisa que me carrega
espia a fruta brenha. 


Do pico do roçado
o universo se espanta
admira a bravura
do suor!
escorrendo sem frescura
nas mãos de fazer dó!


Que sejas assim 
enquanto vivo.
que permita ao homem
o derradeiro suspiro.
que semeie a pólvora 
do alimento matinal.
que arranque do chão
sua existência surreal!
e plante na fronte 
da moeda real! 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Processo de Revitalização

FONTE: claudiaroma.blogspot.com

O oprimido come nas esquinas
Escondidos dos assaltos.
Os olhos que vagueiam em si
Permite anular seu ser.
Basta buscar um norte;
Uma forte bússola
Para encontrar a solução.
Pois a direção
Aponta para o peito do sujeito
 E lar abrem-se as portas.
Abertas, derramam criatividades;
Sublimam o imperfeito
E aperfeiçoa os direitos;
Direcionando os deveres,
Para dentro do sujeito.








sexta-feira, 19 de junho de 2015

Coração; Wifi do corpo Humano

Alguns diferenciam o sentimento do pensamento; um lado é coração e o outro é cérebro. Quem manda em quem? Ninguém. Todos estão em harmonia, um influencia o outro, para mudar o coração, pode se usar a razão, e para mudar os pensamentos, pode-se usar dos sentimentos. O caminho cada um é quem escolhe. Mas compreender este órgão como além de uma função física permite enxergá-lo como um depósito dos nossos sentir.
Alguém que já esteve do lado de fora de um banheiro público, pode ter passado por uma experiência parecida; ter sentido algum odor vindo de lá de dentro, como que, por mais que não precisássemos entrar, já sabíamos o estado em que ele se encontrava. Assim como quem já viu ao longe uma feira de flores passou pela cabeça as tamanhas belezas que podia encontrar lá dentro. Desse modo é o nosso coração. Há inúmeras formas de sentimentos, cada qual com seu peso, e são eles que guardamos dentro de nosso depósito sentimental. Quem estiver fora pode deduzir ou até mesmo sentir o que há lá dentro.



Esses materiais que deixamos adornando nossos corações possuem um poder espetacular em nossas relações. Certo dia um amigo me falo sobre uma história na qual um ser indescritível fora se assemelhado a uma cor, de tão abstrato que era. Logo façamos a mesma comparação; estes sentimentos vão desde o negro temeroso ao claro matinal. Muitos não notam o que guardam no porão, e às vezes, misturam as batatas podres com as saudáveis, e nisso já sabemos no que dá.
Há pesquisas que já comprovam (mas mesmo se não houvesse não necessitaríamos delas para provar tal crença); o coração é uma antena do corpo. Sendo assim, tudo que tem lá dentro, são transmitidos para fora, sendo captado por outros corações. Aqueles que possuem negrume guardado transmitem negatividade. Quem está perto dessas pessoas, dependendo do nível cromático deste sentimento, se sujeita a sofrer desconforto, baixa autoestima, descrença na vida e esquecimento dos reais valores existenciais; para isso, basta não abrir sua rede para tais transmissões. Sua negatividade pode ser tamanha que algumas coisas deixam de dá certo em torno delas. Seus pertences, suas criações possui sua essência sentimental, e quando nos deparamos com elas, estamos suscetíveis a se sujar. Quem não possui um coração nessas condições não suporta viver por muito tempo próximo a essas pessoas.


Já aqueles que têm claras cores em suas caixinhas, presenteiam-nos com as mais benévolas sensações. Sentimos paz, amor, amizade, felicidade, confiança e entre outras graças. Tudo ao seu redor tende a facilidade, a certeza de um pertencer a uma natureza coletiva. São com essas pessoas que aprendemos os passos básicos para caminhar ou que apenas nos acolhe numa simples conversa descontraída. Não há idade para essas pessoas, vão desde uma criança a um senhor; todos limparam e vigiaram suas fortalezas para as boas cores habitar. E suas criações e pertences; um texto, uma fala, um sorriso, um livro, transmitem suas vibrações internas. Com isso, podemos notar um pouco, a partir deste ponto de vista, a importância da manutenção diária de nossos corações, tarefa nada fácil neste sistema social que valoriza a razão limitável, quando usada sem o sentir.   

terça-feira, 9 de junho de 2015

Da Luz ao Amor

 Não sei o que é o amor. E nem sei como chegar a ele. Talvez esteja tão perto de mim que não consigo notá-lo. Contudo, deve haver algum processo para se chegar nele. Ou não! talvez em apenas um único passo, estejamos contemplando de sua beleza. O amor! Será um estado ou uma virtude a se conquistar? Será uma energia que se propaga de uma fonte maior ou mora ele no intimo de cada um? Não sei...

Parece que a vez em que ouvimos falar mais sobre o amor tenha sido no movimento hippie com seu lema: Paz e Amor. Era esta a meta dos integrantes daquela tribo. Paz e amor. Eles tinham lá seus meios de se obter uma suposta paz, porém faltava algo. O que na verdade parecia um movimento contracultural, era uma forma de controlar a população, anestesiando-a dos problemas bélicos que sofríamos. Mas quando pensamos na paz, como então obtê-la?

Será que em meios a tantas vaidades e orgulhos, imerso em mágoas e amarguras chegaremos a paz? Será que desestruturando famílias, desrespeitando os amores ou desintegrando-se de seu lar chagaremos na paz? Há inúmeros problemas e defeitos comportamentais que deve ser lapidados ou atenuados a zero para que possamos sentir um pouquinho desta vibração contagiante. 

Mas como enxergar tais desvios? Se eu vivo, e acredito que apenas um ser mim habita, como enxergar o que faço? Parece que outra coisa deve ser acrescentada para que possamos nos ver; um espelho espiritual de luz! A luz! Ela é quem revela o que há nos recintos, mostra o que pode ser visto, o que existe! Podemos ver as cores a partir da luz. Logo, desejemos-a a fim de começarmos a ver a nós mesmo! E o que é a luz? Cada qual responda à si.

Acho que faltara luz nos movimentos sociais dos séculos passados. Ora, se a luz nos mostra, se a ouvimos e buscamos mudar, poderemos sentir paz. E onde entra o amor nesta história? Parece que vem de uma prática dos ensinos sagrados do bem. Não importa a crença, todas ditam as mesmas verdades. O amor vem com o praticar, com o tempo, com o olhar, com o zelo, com o afeto, com a tolerância, e por ai vai.


Meu Deus, se tenho que percorrer tudo isto para sentir os primeiros aromas do amor; dai-me dedicação a este caminho, e guia-me nas boas ruas que circulam a existência. 

domingo, 7 de junho de 2015

Um grão de Areia

Das experiências que presencie sobre os debates de opiniões e discussões sobre algum tema,  pude perceber que quase nada se ganha com tais momentos se não esta reflexão. O que restava naqueles momentos era buscar ouvir! Parece que com o tempo o que importa mesmo é escutar os sons que saem de nossas bocas; esses são mais graciosos e nutritivos para o ego. Temos que combater esta crença. 

FONTE: acertodecontas.blog.br
Imagino que aquele que conversamos muitas vezes só quer ser ouvido. Se ele quer se auto-ouvir ? Eu não sei, não cabe a nós inferir tais adivinhações. Devemos fazer nossa parte de aprender a aceitar o modo como a outra pessoa, Ser da nossa mesma espécie, se manifesta. Julgá-la pelo que é, ou querer que seja como nós; isto é um movimento controverso ao movimento do universo. Não estou sendo guru ou irrealista com isto, apenas parece que o universo gira num sentido de integração. Se fizermos um castelo de areia numa praia e deixarmos uma semana lá, veremos que depois deste tempo, ele retornará ao seu todo que jaz no chão da praia; as ondas do mar tenderá a este movimento. Há neste simples bater do mar a desintegração para que haja a integração; a dualidade das coisas que existem. Querer uma... Uma não, várias imagens semelhantes a nós mesmo é dar corda num sentido inverso.

E aceitando o próximo da forma como se encontra, tenderemos a nos integrarmos a uma quantidade maior de indivíduos, pois não estando ouvindo ou nutrindo o ego que nos aliena, este movimento flui. Estas palavras não são para um alguém. São para mim mesmo! O primeiro que tem que cumprir com elas. Não me coloco como um mestre que sabe sobre a sabedoria. Não estou ensinando. Estou escrevendo para aprender. Escreve-se para si. Quando um dia lerem o que escreves, é porque tinha de ser lido; uma das leis indiana sobre a vida.

E neste processo de tolerância para com as pessoas; parte nossas de um único quebra-cabeça, o passo primeiro e perene é entender-se; ouvir o que você tem para dizer para você mesmo. Se nem paramos para nos escutar, não teremos jeito sublime em tratar nossos semelhantes. 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Buscando Caminhar - Aprendendo

Se quisermos viver vigiantes de nossa existência, se guardando dos perigos e armadilhas sutis que estão dispostas, vindas de todas as dimensões possíveis, devemos acreditar, ou melhor, saber que há outras energias que circulam num sentido inverso a evolução humana. Sãos as fraquezas individuais os alvos daquelas energias.

Resguardar-se em nosso interior, buscando uma segurança materna e paterna, confiante de que existe um infinito que pulso o desenvolvimento desta coletividade homogênea. É nesta confiança, progredindo a cada instante, que caminhamos para a guarnição.

Olhar como anda nossa interior. O quão nós estamos vivendo para o ego; senhor que nos coloca em risco, que monta armadilhas para nós mesmo. A nossa atenção deve está focada em valores maiores, em uma possível disposição a aceitar e receber o outro. Porém, tal acolhimento só é possível depois que iniciamos um estudo de si.

A nossa individualidade não cessará, pois enquanto estivermos em corpos continuaremos sendo únicos, singulares num campo físico. Porém, podemos alcançar, num esforço diário, uma dimensão coletiva, pois nosso espírito é infinito; somos essa dualidade, enquanto existentes, que não se separará: temporal e eterno.

Nessa rede de relações de seres de diferentes horizontes, emanando ideias e experiências arquetípicas a nível inconsciente, que pode nos ferir ou nos curar, cabe a nós, buscar uma âncora numa crença maior; crer numa totalidade que rege e pereniza as leis naturais da espiritualidade. Mas se vermos que estamos sendo presenteado com bons votos e boas esperanças cabe a nós apenas abrir os braços do coração e receber o presente. 

Este exercício de se firmar a cada instante na certeza espiritual requer esforço, e perenidade, pois devemos conhecer na prática, não basta saber, que não chegaremos enquanto carne e alma a uma firmeza nas naturalidades da natureza divina. Não se caminharmos cientes do que queremos, e como diz um amigo, sabendo onde quer chegar, estamos dando as primeiras engatinhadas a este processo.


domingo, 31 de maio de 2015

Distrair-se

A quantidade de meios que temos hoje em dia de entretenimento é incontável. Talvez seja porque a característica de entreter não esteja no objeto em si, mas no individuo que se distrai com o que lhe convém. Mas isso é apenas uma suposição. O que podemos ter clara evidência é que muitas mídias tem como finalidade este princípio da divertimento.

Na TV enxergamos diversas plataformas disposta às pessoas para que elas se distraiam dos problemas da vida. Quem disse que uma novelinha ou uma dessas séries não nos faz navegar numa mundo de ultra diversão, fazendo com que aqueles velhos problemas, que muitas vezes nem sabemos que existem, não tenha possibilidade de se manifestar? Acho que essa deve ser a sensação mais agradável que existe: ver-se num mundo na qual não precisamos desenvolver soluções, pois tudo está beleza!

Se submeter num lago midiático contemporâneo capitalista é aquela velha história de entrar para a Matrix. Saber que sou apenas um corpo enclausurado numa cápsula... Isso é meio chato, prefiro viver na normalidade, na realidade virtual. Quem não se deixa iludir-se com os divertimentos verá o mundo a partir de outro ângulo. Ele notará as amarguras da vida, se deparará com as angústias de sua vida, com as faltas, com a finitude de nossos corpos, e tudo aquilo que sempre fugiu de perceber.

Charge: Ivan Cabral 
Mas então, porque viver neste mundo de aparência cinzenta? Primeiro, é apenas uma impressão esta coloração. Só conhecemos que há um objeto velho porque já vimos um novo, só sabemos que existem pessoas magras porque vimos pessoas gordas, e assim por diante. Logo, para que notemos o colorido que a vida tem, temos que ver o outro lado, que também faz parte de nossa existência. O colorido que a TV finge que passa é apenas um mero jogo psíquico de bem-estar. As cores da vida podem ser vistar sem usar nenhuma ferramenta cara que não seja nossos olhos. Desde sempre aprendemos que problemas existem para resolver, não para adiá-los até o fim de nossas vidas; tal ensinamento tende a ser perdido no decorrer da vida. É notando a pequenez de somos; meras contingências, que possibilitaremos desenvolver nossa fé em algo superior a nós.


No entanto, saber quem está certo, qual perspectiva e estilo de vida são a correta é uma resposta que não podemos inferir. Posso pensar que o bom é viver fora das distrações, mas posso pensar também que o melhor mesmo é se permitir a elas. Neste mundo de opiniões, empinar seu nariz e ditar o correto é o mesmo que proferir o meio contrário; melhor mesmo é simplesmente Viver. 

sábado, 30 de maio de 2015

Almoço Palhaço



A chuva tomava de conta das ruas, em pleno meio dia, no Crato, onde o costume era termos o sol escarlate temperando a pele dos que ali transitassem. Quando víamos chuva como aquela, sabíamos que era passageira. Ela vinha apenas visitar-nos e deixar um mormaço de presente.

Sentado ali para almoçar, num desses restaurantes bares que ficam postos na entrada do centro da cidade, de quem vem do Juazeiro, na rua Almirante Alexandrino, esperava meu prato chegar. Enquanto isso contemplava a rua molhada e os mais diversos tipos de guarda-chuva que apareciam; o de se espantar, era a quantidade deles; mesmo cessado o inverno, havia alguns sujeitos que vagava prevenidos das (im)possíveis gotas de águas vindas do céu.

Junto comigo, estava uns operários de uma obra perto dali, que já saciados, bebiam algumas doses, prevendo que não iam mais voltar ao trabalho.   

Palhaço Leleco - Florianópolis: FONTE: www.pmf.sc.gov.br
Meu almoço veio trazido por uma senhora mulata, e junto com a comida, vinha ela com um molho de pimenta caseiro e perguntando se eu o queria; pois na mesa após minha afirmação. Igualmente a sua vinda, entrou ali, todo molhado da chuva, um palhaço, ainda de vestes longas coloridas, vermelhas e amarelas, com um ar extravagantes, porém sem maquiagem e perucas. Abriu uma maleta e tirou alguns lenços, julguei eu, ser os usados para alguma prestigitação. Tratou o palhaço de se secar. Fazendo aquele movimento, pediu à senhora que trouxesse um PF.

Após secado, ficou de pé arrumando sua bagagem de artista. Foi até a fachada do estabelecimento, sem sair de dentro dele, e ficou vendo a garoa que cessava. Seu prato chegou. O sol raio nas ruas como se nada tivesse acontecido antes dele surgir. O palhaço sentou na mesma mesa que eu estivera; já juntava meus papéis, pegava minha bengala e meu chapéu e pagava no balcão o valor pedido. Via de release, enquanto me dirigia à rua, o jogral iniciando o processo de findar, aquele suculento e simples parto que a mulata fizera com todo gosto.

Sair dali e caminhava vendo nas poças deixadas no chão enraizável daquela cidade pacata, o límpido céu azul que encontrava-se escondido, até então, não por ser tímido, mas por algum outro motivo que nós terráqueos não saberemos desvendar. Porém, suspeitamos que tenha, aquela imensidão azul, segurança e honra de ver nascer todo santo dia as cores vívidas e únicas daquele povo simples.

sábado, 23 de maio de 2015

O que é Certo?

O que é certo ou errado? O que é verdade ou não? Parece que existem muitas verdades por aí, algumas se complementam, porém, outras se contradizem de tal forma que é quase impossível haver uma congruência entre elas. São as chamadas verdades de cada sujeito. Freud falava de uma realidade pessoal, que é quando a pessoa crer que determinada coisa é real, aconteceu, porém, é apenas uma percepção errônea feita por por ela.

Mesmo existindo diversas verdades, creio eu que existe uma verdade universal; se não tanto, no mínimo, cultural. Existem cravada em nossa psique conceitos simbólicos imaginários de outras culturas ancestrais na qual não temos acesso conscientemente. Muitas culturas convergem em alguns padrões culturais, por exemplo, se analisarmos alguns mitos de uma dada cultura, veremos que muitas ideias deles se repetem em outra cultura, alteram apenas a forma, mas a essência permanece. Este é apenas um exemplo quando centrando no mito, mas outros elementos também possui este caráter, como por exemplo, a dança, a pintura, as formas, as organizações sociais e por aí vai. Desses, destacaremos a ética moral; muitas civilizações em alguns pontos possuem morais que se assemelham.

Como falei a cima, temos traços culturais ancestrais em nossa psique, como se fosse uma genética; hereditariedade psíquica. Então temos no fundo de nosso íntimo, ideias morais do que é verdade, que se assemelha a esta verdade que perpetua nas civilizações. Seria esta a Verdade universal?!

Com o movimento das experiências terrenas em busca de um sentido maior a nossas vidas, vamos nos aproximando dessa verdade maior; quanto mais nos unimos consigo mesmo, mas nos aproximamos desta verdade cultural universal.

O que temos como correto eticamente é nada mais nada menos do que uma síntese; essa Verdade que se repete nas éticas estruturantes das civilizações antepassadas se relacionando com a verdade pessoal, formada por meio das experiências do sujeito. Veja que essas experiências do sujeito se referem a uma moral familiar e local. Enquanto que a Verdade Maior vem de um processo pessoal de cada um; um desenvolvimento individual. Logo, podemos perceber um mecanismo de propagação. Quanto mais próximo estiver um sujeito desta Verdade ancestral, mais próximos estarão os membros de sua cultura; ele passará para o seus filhos, e estes permanecerá perpetuando tais verdades. Até que finalmente, findará numa única ideia que convergirá em todos os pontos.

Parece ser uma imaginação utópica tudo isso. Porém, se estudarmos a fundo, veremos que há um pouco de fundamento; pode não ser tão fácil quanto explicitado, pois deve-se levar em conta uma gama de fatores que há no caminho; são fatores que não estão para atrapalhar, mas para aperfeiçoar o processo.

A vida e Seus Rumos

Determinar um objetivo de vida muitas vezes pode parecer fácil; aspirar a uma profissão, morar em um determinado lugar, fazer algumas ações sociais, e por ai vai. No entanto desvendar o objetivo coletivo de cada um de nós às vezes pode parecer impossível, ou muitas das vezes, passa despercebida esta ideia. Sabemos que somos seres existentes; se temos alguma essência, cabe a crença de cada um. Sendo meros objetos contingentes neste vasto mundo, notamos então, uma simples necessidade de significar esta vida; valorizá-la de algum modo.


Pelas ideias do filósofo chamado Jean Paul Sartre, podemos inferir que o homem é nada; estamos sempre reafirmando ser algo, ser nada é saber que o passado já não existe, apenas jaz nos salões da memória, e o futuro apenas como imaginação individual. Logo, apenas o presente, o instante, é que pode ser vivido. Se o ontem não volta, e o futuro nunca chegará, então o que eu sou? Um ser que vive em busca de vir a ser. Imagine que ontem você foi paciente com alguém, isso não quer dizer que no futuro você será, ou que no agora também, tudo dependerá da sua escolha. Além de sermos nadas, somos seres de escolhas constantemente. São esses mecanismos que movem o homem.

Sendo assim, qual é o sentido da vida? Parece ser uma ideia antropocêntrica, pensar que tudo que acontecer é movido pelas nossas escolhas. Pode ser, não sei, mas a discussão aqui é: o que fazer nesta coisa chamada vida? Se observarmos algumas doutrinas religiosas e algumas concepções filosóficas, e sociais veremos que existem sempre uma busca por uma totalidade; uma integração com algo maior, um soberano. Não é difícil notar que o homem ao longo da história se desagregou da natureza, mais precisamente, de uma figura que representa o todo. Essa desintegração, biopsicossocial e espiritual, gerou uma gama de problemáticas a nossa existência, uma delas, esse esquecimento dos reais valores da vida.




Então, este sentido que caminha a uma energização nas várias dimensões do homem com uma massa total de elementos; o um no todo, já vem de muitos culturas, cabe a nós, escolher em que meio é mais fácil para que compreendamos este processo de unificação, se num meio sócia, num campo filosófico ou religioso, não importa, o que precisamos é de uma direção rumo a um objetivo maior; universal. 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Compreensões

Imagem: Blog Vontades de Avestruz
Existem espalhadas por todos os lugares, pedaços de compreensões. Tem para todos os gostos. Cada um busca aquela que mais parece encaixável em sua pessoa; como peças de um quebra-cabeça. Muitos chegam dizendo pontos de vistas como se estivessem enxergando o todo do objeto visualizado, comentado. No entanto, sabemos que o que notamos numa súbita impressão de algo, é apenas uma mera compreensão pessoal; basta pedi a outro que comente sobre uma verdade, e verá que ele provavelmente pensará diferente.

Vivemos inferindo as percepções que nos chega por meio de experiências aprendidas. Tanto aquelas que tivemos que experimentar e provar quanto aquelas que outros nos disseram e passamos a crer. Tudo que acreditamos nada mais é do que frutos obtidos na caminhada da vida. Como cada qual viveu uma infância diferente, tem famílias diferentes, ciclos de amigos diferentes, e por ai vai, então as experiências aprendidas terão traços únicos. Alguns pontos podem convergir, porém, sempre terá algum detalhe na compreensão do outro que as vezes não chega ao nosso ouvido.

São as verdades individuais. Cada pessoa tem suas verdades. Porem, para que possamos compreender o outro, nada mais prático do que abrir mão da posição de que, o que sei é verdade universal, e se lembrar de que estamos longe de obtê-la. Olhar o outro além das lentes dos nossos olhos, e tentar enxerga-lo a partir das inúmeras vivências que ele possa ter presenciado. Não é saber da vida alheia, mas ter consciência que ali jaz um ser humano habitante do planeta terra, aprendiz como todos nós.

Logo, neste mundo repletos de compreensões de diferentes cores e formas, intimas ou não, amáveis pelos seus donos, ou não; o que nos resta é apenas ouvir sem questionar, e ás vezes, nem chegar a proferir nossa opinião. Resguardar com o intuito de aprender. Pois as verdades pessoais não são para todos os ouvidos. Quanto mais existir pessoas compreendidas por nós, menos crenças individuais precisaremos. E quanto menor as opiniões egóicas, mas espaços nós teremos para hospedar alguma verdade universal. Esse é o objetivo que devemos visar num exercício que requer vigilância e determinação diária. 

sábado, 16 de maio de 2015

Tempo de Ser

           É lamentável o modo como às coisas andam hoje em dia. Não posso generalizar, mas referindo se ao sistema que circunda nossa sociedade, vemos algumas mudanças, inversões nos valores. É lamentável, mas é o ciclo da vida. Se pararmos para ver como o mundo está, em decorrência de nossos atos, podemos adivinhar um suposto futuro para nossa casa terra. É evidente que nossa flora está se deteriorando, cada dia centenas de seres vivos silvestres, passivos, fotossintetizantes são levados daqui; isso faz pensar que talvez essa nem seja a sua real morada.


Diminuindo a nossa flora, logicamente perderemos a fauna. Sobraremos apenas nós, homens, hospedeiros do concreto, que parece conseguir viver sem está inserido na natureza; o que na verdade é impossível. Tudo isso por conta que nos ensinaram a viver atendendo os desejos individuais, aqueles repletos de aparências. O afastamento da natureza, entidade que estará presente apenas nas ideias daqueles homens que valoriza a sapiência, é o comportamento causador de muitas patologias em nossa civilização.
          Apensar de tudo, o que parece é um movimento natural. Elas tomam seu rumo como devem ser, seguindo uma lógica que nossa temporalidade não nos deixa tomar conhecimento, podemos apenas supor e acreditar. Todo este ciclo de mudanças passará, e acontecerá com total naturalidade. No entanto, cabe a nós, tentar viver na integridade em todas as dimensões: biológica, psicológica, social e espiritual. Fazendo nossa pequena parcela do dever. Pois o sistema funcionará conforme seus moldes, obedecendo as leis do capital, contudo, isso não quer dizer que tenhamos que nos estruturar seguindo suas ordens; como meros robôs sem reflexão. São múltiplas as armadilhas montadas para velar o pensar humano. Tentar visualizar essas distrações e evita-las não é tarefa fácil, no entanto, este é nosso dever como zeladores desta nossa escola que é a terra! Tudo que nasce, falece. E é por isso que devemos adiar ao máximo esta etapa do processo chamado Vida.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Tempos de Seca Aguardam Tempos de Fartura

           O que há conosco? Em meio a tantas badernas: pessoas adultas pintando o sete em lugares de responsabilidade, a presença nefasta da foice que sucumbi as existências, doentes nos corredores dos hospitais em vez de estarem em quartos, árvores e faunas sendo deletadas, o consumo exacerbado; o que necessitamos e de uma mínima gota possível de esperança. Mas parece que tudo se move a um juízo final, forçado, dessa criatura que morrerá sempre por derradeiro. As matérias que saem nas revistas e jornais falam das condições amenas que nos circula, as pessoas nas rodas de conversas comentam tais lástimas; mas o que ganharemos nos focando nisso?

           E em meio a tudo isso, as discussões são irrelevantes. São assuntos desnecessários quando não se tem uma base fundamentada! Chega a mim como meras tentativas de se igualar com outras realidades distantes da nossa! A semente que precisamos nos preocupar em plantar é a doce e tenra Educação.
          Enquanto não mudarmos os meios que usamos para ensinar, educar, nossos futuros cidadãos se tornaram meras imagens semelhantes a nós, ou se não piores. A resposta de tudo, a solução para todos os problemas está nas crianças! São elas que têm que receber novos horizontes. Mas claro que para isso, temos que enxergar um pouco mais as nossas condições para que transcendamos os fatos de nossa vida. Livrarmos cada vez mais da dependência que a tecnologia nos coloca, deixar de gargalhar e passar a contemplar as belezas, evitar distrações, pois são essas que nos adormece, como entorpecentes, e nos afasta dos reais valores da vida. Não é uma tarefa fácil, porém temos que dar o primeiro passo rumo às melhoras.
           Essas são simples tentativas de mudanças pessoais; autoeducação. São com essas ferramentas, de difícil uso, que chegaremos até as crianças; elas, sim, sabem o que fazer. Se perpetuarmos os ciclos dos tempos com os mesmos ideais antiquados, adormecidos na espera de um príncipe a nos acordar, viveremos como muitos brasileiros, desestimulados com a vida.  
          As relações estabelecidas em nosso país não facilitam o processo, isso é claro. São diversos mecanismos que nos tranca: a carga de trabalho, as férias num período predeterminado, a educação de séculos remotos, a mídia usada a outros fins, etc. Mesmo com esses obstáculos, o que temos a dizer é: “Deus lhe pague”,  e seguir nosso caminho decidindo onde se quer chegar. E sem jamais esquecer que mesmo com tantas rosas murchas pela curiosidade, há lá no fundo da caixa; no íntimo de todos nós, uma graça maior adormecida, porém pronta a despertar; a Esperança!  

domingo, 3 de maio de 2015

Comentários sobre Filme - Leva (Documentário)

           A relação que a sociedade estabelece com aqueles que não possuem oportunidades de se manter no mercador possui um traço negativo, aos pertencentes a este quadro, cheios de preconceitos e desvalorização. Por conta disso, eles buscam viver isolados socialmente, mesmo que esta classe dita por pobre forme um conjunto; pois diferente dos outros grupos sociais, ser pobre se torna tão estigmatizado que tal classe se estrutura de maneira heterogênea, contribuindo ainda mais para o isolamento deste. Porém, com a estigmatização, esta heterogeneidade acaba se escondendo da visão geral da população. O individuo pertencente ao grupo de pobres não possui necessariamente sua identidade para o restante da população, para estes outros, ele só é um simples pobre.
           O documentário Leva, de 2011, busca romper com esta homogeneidade falsa, mostrando, por alguns exemplos, que cada sujeito ali, possui uma história de vida, por trás de qualquer estigma, que o possibilitou à entrada neste processo que é a pobreza. O bilhete de inserção a este meio é a desqualificação social. O que notamos desde o início do documentário é que eles estão e tais condições, pois já possuíam alguma fragilidade social, e após o acontecer dos atos, foram se debilitando cada vez mais, até ter que necessitar de auxilio. Como mostra o filme, muitos vieram de outras cidades, e não conseguiram se estabelecer em São Paulo. Vemos que muitos deles além da necessidade a assistência, porém não cedem a ela, não estão inseridos no mercado de trabalho diretamente. Alguns trabalham no próprio prédio, ganhando o suficiente para sustentar as suas necessidades básicas. Outros relatam que o seu dinheiro, o seu bolso, não é o mais importante, e sim, a comunidade em si, na qual participam, tem um grau de importância maior.
           Logo, desqualificados socialmente, eles estabelecem uma relação com o restante da população de modo específica. Esta relação é diferente daqueles que não se cede ao auxilio assistencial ou daqueles que se encontram na marginalidade. O sociólogo francês Serge Paugam, estabelece cinco pontos desta relação, sendo o primeiro a estigmatização. Este estigma é tão profundo, que não está somente como o outro nos ver, mas sim como nos vemos ao nos tornarmos assistidos. Podemos notar no documentário que os entrevistados, por não serem totalmente assistidos, possuem uma forma de relação com a vida bastante singular, pois o meio em que vivem, o pertencer a uma comunidade, tornou-se um fato estruturante nas suas relações. Eles não se isolam, e sim, se juntam. No relato da  Maria Elizete , na qual ela diz: “meu objetivo é a moradia né, e de todos que estão aqui dentro. O objetivo é esse, a nossa luta é essa. Eu consegui, mas tem meu próximo que não....”, podemos ver a dissolução do individualismo presente em outras classes sociais. A sensação é que “O outro faz parte de mim”, pois pertencemos a um mesmo conjunto. Eles não ficam passivos esperando a assistência, e sim, lutam pelos direitos deles, e caso alguma possível assistência surja, será bem vinda. Podemos notar, contudo, que esta classe social, não se encontra excluída, mas possuem capacidades suficientes de reação a forças sociais circundantes. 


          Se analisarmos a desqualificação social como uma interdependência dos pobres ao restante da sociedade, veremos que, os indivíduos que se encontram envolvidos em movimentos sociais de teor comunitário, não aparenta possuir esta dependência. Chegando muitas vezes, e ter a sensação de que tais organizações são superiores, e que eles possuem capacidades de serem exemplos para o restante da sociedade como forma de se estruturar, vemos esta ideia na fala de um dos entrevistados quando ele diz: “Porque não colocar o trabalhador próximo do seu local de trabalho? Não, a maioria trabalha aqui na região central. Eu, por exemplo, não dependo de transporte coletivo. É maravilhoso. Posso vim andando até meu local de trabalho. Que dizer, isso poderia ser uma coisa que poderia alcançar uma quantidade muito maior de pessoas”. E mais a frente fala:
Eles acham que quando você entra no prédio você está desalojando as pessoas que estão lá dentro, não, o principal motivação é política. É conscientizar os políticos de que existe um imóvel abandonado, não existe ninguém morando ali... Então é uma maneira de conscientizar os políticos de que existe uma população de baixa renda que precisa de moradia, né, que quer viver com dignidade e que há meios de se fazer isso...

           Contudo, como já foi dito, a necessidade de assistência é visível, porém, vemos uma resistência nos participantes dos movimentos sociais em esperarem os auxílios vindos do estado. Sabemos que essas assistências nem sempre vem com num prazo de tempo confortável a todos. Por isso, podemos classificar esta força divergente a esta espera como positiva, pois para eles, estão estruturados e “bem de vida” ocupados num prédio, ou, além disso, pertencente a um grupo social. Entretanto, mesmo seguindo a força do movimento, eles esperam que consigam uma moradia própria fora dos prédios ocupados. Seria então, a comunidade uma bengala que sustenta e estagna o processo de desqualificação social rumo à marginalidade excluída da sociedade. Os discursos deles é que não pagam os impostos não porque não querer, mas porque não tem oportunidade. Porém, esta oportunidade que lutam, não é bem vista por todos lá, muitos preferem a vida que levam na ocupação do que as que tinham antes dela, como diz Elizete: “Agora, se me verem aqui, me verem aqui, morando aqui, “ah, essa daí é uma desocupada, num sei o quê, num sei o quê...não sabe eles que eu aqui no movimento sou mais feliz do que quando eu tinha que morava lá no prédio pagando meu aluguem e tudo. Aqui eu sou muito mais feliz, sabia?!”

Quem tiver interesse em assistir a este maravilhoso documentário da Juliana Vicente e Luiza Marques, segue o vídeo do Youtube abaixo. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Abertura ou, Boas Vindas

           
Foto: tsuruhaus.files.wordpress.com
           Quando se pensa em abrir um blog ou alguma pagina social sempre se tem um objetivo por trás; às vezes tão bem escondido que nem sabemos exatamente o real motivo. Logo, o que eu disser aqui como meta para minhas palavras neste blog, pode não ser o “real objetivo”. Portanto, não sei se é uma boa ideia falar de algo que posso estar enganado; já fiz isso antes e não fora bom o resultado. Porém, posso falar de algumas metas que pretendo alcançar com esta página, não sendo, então, meu fiel objetivo, mas sim, o que quero com ele.
           Umas das minhas metas, na qual tenho ciência de que se for para eu alcançar, será em longo prazo, é conseguir me comunicar com outras compreensões a respeito do quê escreverei. Minha meta é expor minhas opiniões sobre temas, os mais sortidos, e receber comentários que possa servir para construir e amadurecer minhas opiniões. Como pus na descrição do blog: O outro nos constrói. Logo, uma forma de que eu não me ponha como um sabedor de toda a verdade existente, ou que as minhas opiniões são as verdadeiras, é aceitar as verdades alheias e reconstruir as minhas, de forma a não perenizar e cristalizar meu aprendizado.
          Falo meu aprendizado, mas outro objetivo que pretendo é que isso aqui sirva de espaço para mútuas aprendizagens. Ao ouvir e entender a cultura do outro, livre de preconceitos, podemos nos conhecer, pois é vendo como o próximo se estabelecer que podemos melhor ver como nos colocamos. Mas essa não é uma tarefa fácil. Não é só escrever e esperar que comentem e assim eu ler as opiniões e tudo mais. Para que isso ocorra, um conjunto de outras práticas devem ser realizadas, e outras cessadas, para que assim, tenhamos capacidade de viver o outro.
           Podemos pensar que este tipo de comportamento fará uma perda em nossa identidade. Mas pelo contrário, teremos agora ferramentas para entender como funcionamos. O fato de estarmos inseridos num grupo, e assim, todos possuírem identidades parecidas, faz ressoar em mim algo meu patológico nos indivíduos que ali estão. Digo quando eles não percebem diferenças em comportamentos e culturas entre si, esquecendo-se dos reais desejos e motivações que cada qual carrega. Mas quando estamos em conjunto, e zelamos por algo em comum, porém, cientes de nós, creio que agora sim podemos falar de uma relação grupal saudável. O que for diferente, por exemplo num indivíduo, que contradiga a cultura do grupo, só caberá a ele perceber tal divergência e buscar mudar; seguir dogmas e comportamentos culturais apenas por que todos fazem não é aprendizado. 
           Contudo, mesmo percebendo que estas metas não são fáceis de serem alcançadas, requer não só um esforço pessoal, mas coletivo e até mesmo tecnológico, não posso deixar de acreditar nelas, pois não terei sentido para escrever. Mas porque não guardo o que tenho para mim? Porque quem foi que disse quê o que sei está certo? Logo, prefiro me estruturar nestes pilares e torcer para que este seja o meu real objetivo enquanto “escritor” desta página. Abraços!